Filhos - Regras e Limites


Educar filhos não é tarefa fácil. É preciso impor regras e limites. Mas como fazer isso sem prejudicar a auto-estima deles e de uma forma saudável? Crianças são muito “maleáveis” no que tange o aprendizado de novas condutas, novos padrões de comportamento, mas é necessário o manejo adequado para não gerar mais problemas do que soluções. Todo comportamento humano possui uma função. Imaginemos uma criança que sente falta da atenção dos pais. Mesmo na forma de gritos e palmadas, ao fazer algazarra ela ganha a atenção de que necessita. Diz-se então que o comportamento da criança adquiriu a função de chamar a atenção dos pais. É muito comum vermos crianças fazendo escândalos em supermercados, shoppings, lojas de brinquedos principalmente. Os pais buscando passar uma imagem de bons tutores acabam satisfazendo as vontades dos filhos para acabar com a gritaria. E, tais quais pequenos executivos, as crianças aprendem a “negociar” com os pais o seu brinquedo no shopping. Como o assunto é complexo e vasto, busquei reunir de forma sucinta, alguns direcionamentos no trato com a criançada:

1 – Colocar regras do tipo ‘Se’ – ‘Então’. Deixar claro para a criança qual será a conseqüência do comportamento dela se fizer algo errado. Exemplo: “Se não fizer a lição de casa, então ficará sem assistir televisão.”

2 – As regras devem ser consistentes. Se um dia há punição por não fazer a lição de casa e no outro não, a criança aprende que nem sempre será punida e passará a manipular essa falha. Se o castigo é ficar dois dias sem ver televisão, os pais devem cumprir a regra, pois a criança já sabia de antemão qual era a punição. Ao longo do tempo ela vai percebendo que seu comportamento gera conseqüências e vai se tornando mais responsável.

3 – Deve haver consenso sobre as regras, por parte dos cuidadores. Não será eficaz, que a mãe estabeleça uma punição e o pai não à faça cumprir, pois este estará invalidando a autoridade da mãe, dando margem para que o comportamento inadequado se mantenha.

4 – Estabelecer regras razoáveis. É praticamente impossível impor e cumprir castigos do tipo “você ficará duas semanas sem sair de casa para brincar”. Duas semanas sem sair de casa para uma criança é como meses na prisão para os adultos. Estabeleça regras que você vai conseguir cumprir e que leve em consideração o bem estar do filho(a).

5 – Nunca se pune a criança, mas sim o comportamento dela. A criança vai formando uma opinião de si mesma e construindo sua personalidade de acordo com o que ouve a seu respeito, principalmente dos pais. Dizer “você é um desastrado”, “você é um preguiçoso”, etc., faz com que ela passe a se ver dessa forma. Aponte qual comportamento é inadequado e cumpra as regras. Exemplo: Ao invés de dizer “Você é um menino mal, vai ficar de castigo por bater no seu irmão”, pode-se dizer: “Você é um ótimo filho, mas bateu no seu irmão e isso não está certo, agora ele está triste, então vai ficar de castigo”.

4 – A punição apenas não basta, é preciso gratificar a criança por seu bom comportamento. Nenhuma criança (ou adulto) muda de conduta se não ganha nada com aquilo. É preciso estabelecer recompensas para o bom comportamento. A punição por si só apenas funcionará enquanto o agente punidor estiver próximo. Recompensá-la por bom comportamento é necessário para que haja um condicionamento de sentimentos de bem estar por fazer o que é certo. Aos poucos não será necessário presenteá-la. Ela se comportará bem naturalmente.

5 – O castigo não invalida o carinho. Se a criança fez algo errado e está de castigo não quer dizer que ela deva estar privada da atenção e do carinho dos pais. Muitos pais negam aos filhos, pedidos para conversar, para se aproximar, quando estão de castigo. Ou seja, além de ficar dias sem ver seu desenho favorito, a criança ainda não receberá atenção e carinho das pessoas que são seus pontos de referência. É pesado, não?! Talvez, enquanto esteja de castigo, ela queira comunicar algo importante ou que a esteja deixando assustada. Dessa forma ela deve sentir que embora tenha se comportado mal, é amada e acolhida. Não se pune uma criança com a retirada do afeto!

6 – A mudança no comportamento demanda tempo! Quanto mais consistentemente forem manejados os esquemas de punição e recompensa, mais rápida será a mudança no comportamento da criança. Mas esperar que a mudança ocorra da “noite para o dia”, é tão ideal quanto a idéia de que seu filho não tem “solução”.

Ficam algumas dicas para o manejo assertivo do comportamento das crianças. Como dito no início, as crianças são bastante flexíveis no aprendizado de novas condutas, porém é necessário que seus cuidadores assumam a sua parcela de responsabilidade e saiam da zona de conforto que se expressa geralmente em frases do tipo: “Meu filho tem um problema”. Enquanto ele tem um “problema”, está explicada a falta de disciplina e os pais nada podem fazer para mudar isso. Cuidado. As crianças são o reflexo (menos dissimulado possível) do ambiente em que vivem. Se a situação está saindo do controle, nada como buscar um bom terapeuta!

Condicionamento Pavloviano

O experimento clássico de Ivan Pavlov foi um estudo no qual o cientista conseguiu fazer um cão salivar com o som de uma sineta. O que ele fez foi basicamente emparelhar o toque de uma sineta (Estímulo Neutro para a resposta de salivar) à apresentação de comida (Estímulo Incondicionado para a resposta de salivar). Após certo número de emparelhamentos, ou seja, após apresentar o alimento ao cão e tocar a sineta, o cão "aprendeu" que o som era indício de comida chegando e salivava sem ter alimento por perto! O comercial abaixo demonstra, de forma bem humorada o condicionamento explicado por Pavlov. Mas, logicamente, a intenção é condicionar VOCÊ a salivar! Vale a pena conferir!


Namoro: Início e limites!


O ponto que gostaria de frisar aqui é o início do relacionamento. Quem já experimentou o frio na barriga de estar gostando de alguém, sabe que nessa fase em geral há uma cordialidade incrível: escolher palavras, vestir-se bem, isolar-se dos amigos, concordar com a opinião do outro em muitos aspectos, etc. Queremos impressionar o outro e fazer com que este nos admire o quanto o admiramos. Até aqui tudo bem. O problema começa quando dizemos coisas e agimos de forma muito diversa do que realmente somos. Novamente, o raciocínio é simples. Na medida em que o tempo passa, a paixão vai dando lugar ao amor e o nosso ‘modus operandis’ aflorando novamente. Em termos comportamentais vamos ficando Saciados e o Valor Reforçador de atividades como sair sozinho, conhecer pessoas diferentes, ir à lugares diferentes, etc., vai aumentando. Mas como retomar algumas atividades ou maneirismos sem que o outro ache estranho? Como fazê-lo sem que outro pense que não está sendo suficiente ou que você o está traindo? Resposta: Uma ‘D. R.’ daquelas! Tudo poderia ter sido resolvido, se no início do relacionamento ocorresse uma descrição como segue: “Eu gosto muito de acampar com x freqüência, gosto de sair sozinho(a) esporadicamente com meus amigos, gosto de baile funk (o autor não gosta) e adoro ir ao cinema sozinho(a) uma vez por semana. Naturalmente estamos passando mais tempo juntos, pois é algo novo e muito bom pra nós dois. Mas, cedo ou tarde, retomarei as atividades que eu gosto e isso não tem nada a ver com você. Tem haver com as minhas necessidades pessoais e estando bem comigo, naturalmente sentirei mais prazer em estar com você!". Problema resolvido, não é?! Não haverá tanta insegurança se acaso você decida retomar algumas atividades que deixou de lado enquanto estava apaixonado. Mas se você já está experimentando certa ansiedade em retomar suas atividades favoritas, o ideal é conversar com o companheiro sobre esse mecanismo natural nos relacionamentos e tentar fazer uma transição mais tranqüila. Os seres humanos estão em constante mudança e isso é esperado que aconteça. Conseguir adaptar-se à essas mudanças faz parte de um relacionamento a dois saudável. Em suma, colocar nossos limites é fundamental, principalmente no início do relacionamento. Em geral, nos vemos impulsionados à impressionar o outro, procurando passar uma imagem de quem não somos (como se não fosse possível encontrar alguém que goste do nosso “jeito”...). Vale a pena “pisar no freio” um pouco e evitar desentendimentos futuros!

Namoro: Auto-Estima antes de tudo!


Bom, falar de relacionamento humano nunca é fácil, não é? Principalmente quando o assunto é namoro. Mas para nós terapeutas ficam claras algumas “diretrizes” que podem ser aplicadas na maior parte dos relacionamentos amorosos, para evitar desilusões e sofrimentos desnecessários. Então vamos lá! O ponto que gostaria de discutir aqui é a auto-estima enquanto um fator determinante de uma relação saudável. Pessoas com baixa auto-estima tendem a pisar em algumas pedras quando o assunto é namoro. O raciocínio é simples. Quando estamos devendo um pouco de atenção e carinho para nós mesmos, esperamos que o outro o faça (e nos contentamos com menos do que merecemos e gostaríamos). Aí começa a encrenca, pois, quando colocamos o nosso bem estar na mão de outra pessoa o resultado quase sempre, é decepção. Nossa felicidade e bem estar fica sob controle de outra pessoa. Transformamos-nos em uma marionete, indo do êxtase à depressão conforme o ritmo ditado pelas marés de humor do companheiro. E não é isso que queremos. Queremos segurança! E essa sensação, felizmente ou infelizmente, só encontramos em nós. Preste atenção em necessidades urgentes de estar se relacionando com alguém. Pode ser indício de que sua auto-estima precisa de uma “manutenção”. Vejamos, se ficar sozinho é algo extremamente aversivo, falando em termos comportamentais, o valor reforçador de uma relação sobe muito. Quando se encontra alguém, há uma probabilidade grande de que o medo de perdê-lo supere sua espontaneidade no relacionamento. Para não perder a pessoa “amada”, acaba-se por fazer concessões desagradáveis, enquadrar-se em regras que não levam em consideração suas vontades e valores, etc. Fica uma bagunça só, e em geral, essa situação ‘acaba em término’ (risos). Aqui você viu que a máxima “estar bem consigo mesmo, para depois ficar bem com os outros”, faz todo sentido. Em geral quando terminamos um relacionamento ficamos fragilizados, tristes, melancólicos com a perda. Vivemos um luto. O problema é que neste momento, novamente o valor reforçador de estar com alguém sobe muito, e o ciclo se repete. Por isso, fica a dica: Procure ficar bem consigo mesmo, antes de entrar em um relacionamento. Procure conhecer suas vontades, seus valores, o que lhe falta para ter uma vida tranqüila sem depositar seu bem estar nas mãos de outra pessoa, passe um tempo sozinho. Se você sente-se muito ansioso, ou está colecionando relacionamentos difíceis e com alto custo emocional, vale a pena buscar um bom terapeuta e, a partir daí, experimentar os prazeres de uma relação harmoniosa, construtiva, na qual seus limites são levados em consideração. E cuidado! Utilizando das palavras da psicóloga Maria Rafart: “Quando se está acompanhado só porque precisa de alguém, reduz-se o companheiro a um mero prestador de serviços.”

Terremoto no Haiti



Basicamente os seres humanos vivem, utilizando a linguagem técnica, sob três contingências: filogenética (inerente à espécie), ontogenética (história de vida de cada pessoa) e cultural. Vendo as vítimas do terremoto no Haiti brigando (literalmente) entre si para conseguir um saco de arroz, fica clara a força do caráter filogenético da espécie, ou seja, se faltar o básico para a sobrevivência como o alimento, o caráter ontogenético e cultural fica seriamente comprometido. Valores pessoais e coletivos como honestidade, respeito ao próximo, não tomar a frente de outra pessoa numa fila, etc., são deixados de lado em nome da sobrevivência. Paradoxalmente, no momento que mais demanda trabalho em equipe e união, parece haver uma total desarmonia e competição. É comum vermos vários movimentos organizados para o auxílio às vítimas, enviando alimentos, vestuários, profissionais de saúde, etc. Não levando em consideração algum “possível” interesse político, a ajuda às pessoas desabrigadas ocorre pela capacidade do ser humano de colocar-se no lugar do outro, ou seja, a empatia. Um gesto nobre, porém, possível apenas quando não estamos vivendo sob as mesmas contingencias, pois, se as estivéssemos vivendo, a probabilidade de estarmos engalfinhados em uma briga sangrenta para conseguir alimento, aumenta e muito. Surge então o caráter ambíguo do ser humano, controlado por fatores externos a ele. Perder o lar, parentes e amigos é perder parte de si, da própria identidade. Em casos como estes há um fenômeno de psicopatologização em massa. Pessoas tendem a sofrer dos mesmos problemas psíquicos, pois vivem sob às mesmas contingências. No caso de desastres naturais ainda há um agravante: Não há um culpado. Muitas pessoas mortas por causa de um ataque de uma facção gera revolta e dor contra o agressor e isso pode unir as pessoas. No caso do terremoto, como não há um agressor específico, a revolta passa a ser contra o Estado. Em Santa Catarina era comum ver pessoas saqueando lojas, depois dos alagamentos. No Haiti, se um supermercado intacto fosse descoberto pela população, teria sido punido dessa forma não apenas pela necessidade básica de matar a fome, mas pela revolta contra o Estado que está ali para garantir o básico para a sobrevivência de seus “filhos”. E tudo isso, naturalmente, sem um pingo de culpa. O terremoto no Haiti é uma situação extremamente dolorosa e digna de atenção de todos. Ver seres humanos praticando atos primitivos para sobreviver é sinal de que, com toda certeza, essa população necessita muito da nossa ajuda.

Raiva: Uma escolha


Você sabia que a raiva é uma escolha e não uma resposta automática do seu organismo? Sim. Quando sofremos alguma injúria, a primeira reação é uma experiência de STRESS (desconforto, ansiedade, taquicardia, medo, etc.). É o seu organismo apontando que algo está errado (de acordo com sua história de vida). Comece a prestar atenção nos PENSAMENTOS que seguem a essa reação de stress. "Fulano não deveria ter feito isso", "Essa avaliação não é justa, eu sempre faço o meu melhor", "Por que fulana nunca é punida?", "Tudo recai sobre mim", etc. Preste atenção também no filme que você ensaia mentalmente no qual pune a pessoa por não ter agido de acordo com suas expectativas. Pessoas que tem dificuldade em dizer 'não' aos outros, freqüentemente experienciam uma resposta de raiva. Logicamente, pois, como não conseguem estabelecer seus limites no momento apropriado, o fazem em pensamento e lá elas tem toda a razão. E esses pensamentos acabam por incendiar e cobrir de razões a pessoa irada. É difícil, dolorido e trabalhoso mudar os pensamentos que acabam por lhe deixar com raiva, pois são irresistíveis. Mas se você já arcou com os custos interpessoais de reagir com raiva em determinada situação, sabe que raramente ela te trouxe benefícios. Em curto prazo, quando estamos com raiva, conseguimos colocar limites nos outros, fazer com que hajam da maneira como esperamos. Mas como eles agiram daquela forma não por escolha, mas pela coerção, a longo prazo, eles tenderão (naturalmente) a evitar o contato conosco. Basta observarmos aquelas pessoas que freqüentemente ficam enraivecidas e saem distribuindo pancadas para todos os lados. Elas parecem ser inflexíveis e provocam em nós uma reação de afastamento. Pra quem sofre com problemas desse tipo há inúmeras formas de conter a escalada da raiva e ser mais assertivo e leve no dia a dia. Há um livro muito bom, baseado em pesquisas científicas, intitulado "Quando a raiva dói" dos autores Matthew McKay, Peter D. Rogers e Judith McKay. Nele os autores trazem, em linguagem simples, técnicas que ajudam a mudar os pensamentos que disparam a raiva, substituindo-os por uma forma assertiva de resolução de conflitos e sem a sensação de que ficou algo não dito, não extravasado ou acumulado. Concluindo então, a raiva é uma experiência cognitiva (comportamento), iniciada, mantida e intensificada por essa experiência. O livro é um ótimo auxílio no tratamento da raiva, mas se ela está prejudicando de forma significativa seus relacionamentos, o ideal é procurar um bom terapeuta (se necessário, com uso de medicamentos bem prescritos) e tornar o processo muito mais fácil. Fica a dica!