Consequências em Longo Prazo

Quem se lembra do personagem de Russel Crowe, Maximus Decimus, no filme Gladiador, deve recordar também da célebre frase “what we do in life echoes in eternity”, cuja tradução é “o que fazemos na vida, ecoa na eternidade”. Esta frase lembrou-me de um conceito que chamamos de Comportamento Operante. Comportamento Operante é aquele que, como o próprio nome diz, opera sobre o ambiente e nele provoca modificações, conseqüências. Existe uma classe de comportamentos (chamados Respondentes) que via de regra não opera no ambiente, ou não gera conseqüências. Mas tratarei desse tema em outra postagem. É comum ouvirmos que ‘fulano’ é inconseqüente, ou não “mede” as conseqüências dos seus atos. O julgamento que as pessoas fazem desses indivíduos tidos como “inconseqüentes”, muitas vezes carrega a idéia de que ‘fulano’ o faz com a intenção de prejudicar a si mesmo ou aos outros. Não há dúvidas de que algumas pessoas provocam danos aos outros intencionalmente, mas generalizar essa regra é extremo. Freqüentemente no nosso cotidiano encontramos pessoas queridas e tidas como de ‘bom caráter’, mas que em determinadas situações parecem perder completamente a capacidade de análise das conseqüências dos seus atos. E perdem mesmo. Estamos falando aqui de pessoas que possuem dificuldade em Discriminar possíveis eventos futuros que ocorrerão em resposta a seu comportamento. Durante a infância somos treinados (ou não) a perceber que nossas ações possuem uma contrapartida. “Não coloque o dedo na tomada, pois levará um choque”, é um exemplo de discriminação de conseqüências, mas nesse exemplo, nota-se que a conseqüência é imediata (se tocar os fios, o choque é sentido imediatamente). O problema começa quando as conseqüências estão temporalmente distantes do comportamento que as provocou. O uso cartão de crédito é um exemplo de conseqüência postergada (ela inevitavelmente ocorrerá, quando chegar a fatura). Quem já contraiu muitas dívidas pelo uso desmedido do cartão de crédito, provavelmente já experimentou a sensação de, na hora da compra, amenizar ou não conseguir discriminar as conseqüências financeiras daquela aquisição. E, convenhamos, esta é uma situação muito corriqueira. A análise então é: Quanto mais distante estiver a conseqüência do comportamento, maior a tendência a amenizá-la, subestimá-la ou mesmo não tomar consciência dela. Algumas pessoas discriminam melhor as conseqüências dos seus atos e outras nem tanto e isso pode se tratar meramente de um treino adequado. A capacidade de “prever” o que ocorrerá futuramente faz parte do que chamamos de Comportamento Assertivo. Uma parcela considerável de nossas vidas envolve a discriminação de conseqüências em longo prazo. Para citar alguns exemplos: a escolha de um curso na faculdade (ou mesmo se fará uma faculdade), aderir ou não a uma dieta, permanecer ou não em um relacionamento, investir dinheiro em ‘x’ ou ‘y’, mudança de emprego, fazer sexo com ou sem proteção, e muitas outras situações. Como se pode notar, decisões como estas podem mudar o rumo de uma vida para sempre, tanto para melhor quanto para pior dependendo das variáveis que cada um consegue manipular sobre as conseqüências futuras. Tendo consciência desse processo, torna-se menos credível que pessoas justifiquem seu fracasso em determinados contextos (na maioria deles, eu diria), como obra do acaso ou destino. Afinal, “quem planta, colhe”. Podemos agir da maneira que nos convenha, mas de uma coisa você já sabe: a conseqüência, cedo ou tarde, virá. “O que fazemos na vida, ecoa na eternidade”!