Pequena Análise: Férias e o divórcio

Lembro-me de uma reportagem a respeito do alto índice de divórcios que ocorrem após o período de férias do ano, e resolvi postar uma breve análise: Casais jovens que vivem em grandes cidades passam maior parte do dia trabalhando e a noite muitas vezes estão envolvidos em atividades acadêmicas ou de formação. Aos finais de semana os grandes centros oferecem diversas opções de lazer e entretenimento. Quando há filhos, a atenção do casal em geral está voltada para o pequenino e este passa o dia todo na 'escolinha'. Como se pode notar há relativamente pouca “troca” propriamente dita entre o casal. O que acontece quando resolvem tirar férias em uma praia tranquila? A resposta é convivência. Sem muitas possibilidades de emitir respostas de esquiva diante de comportamentos indesejáveis, os cônjuges passam a observar de maneira direta, a forma como cada um lida, por exemplo, com a birra dos filhos, situações de stress, divisão de tarefas, aquela infecção intestinal por um camarão estragado que deixa o outro acamado e necessitando de atenção especial, flexibilidade, comodidade, etc. Em suma, sair de férias pode ser um momento determinante na história da sua relação conjugal.

Contingencias aversivas da sexualidade feminina


Há alguns dias atrás estava conversando com uma amiga e ela relatou uma história que me chamou a atenção. Ela estava trabalhando num dia de calor intenso usando saia (apropriada para o ambiente de trabalho). A sua mesa era completamente fechada na frente, de forma que ninguém poderia ver o que se passava embaixo dela. Ela contou que ao abrir as pernas no intuito de se “ventilar” experimentou uma sensação de que estava fazendo algo errado, algo impróprio. Por mais que tentasse, não conseguia permanecer durante muito tempo com as pernas afastadas. Era como se uma voz lhe dissesse: “fecha as pernas, menina”. Observando esse relato, já se pode ter uma idéia do modelo de educação sexual a qual foi submetida. Imaginemos uma menina que desde tenra idade escuta frases como: “você não pode mostrar suas ‘vergonhas’”; “meninas de saia devem fechar as pernas”; “não coloque a mão lá porque é feio”; etc. Todas essas frases traduzem um modelo de educação sexual machista e um tabu em relação à sexualidade feminina, que acabam por criar auto-regras (é errado abrir as pernas usando saia) insensíveis às contingências (pois ninguém poderia vê-la com as pernas abertas). E como se pode notar, depois de adulta ainda carrega consigo reações emocionais aversivas diante desse comportamento.
Uma última análise que gostaria de fazer, que a meu ver está relacionada ao tema, é a necessidade que algumas mulheres apresentam de conversar após as relações sexuais. Salvaguardando os aspectos neurofisiológicos que poderiam predispor a esse comportamento, imaginemos novamente toda ampla gama de regras, às quais boa parte das mulheres foi submetida. Regras como: “sexo deve ser com alguém que você ama”; “se você transar vai ser vista com olhos diferentes”; “se você transar no primeiro encontro será vista como promiscua”; “homens só querem sexo”; e uma infinidade de outras manifestações por parte dos cuidadores que deixam um recado implícito: Não faça sexo. Isso acaba por instalar no repertório da mulher um sentimento de culpa quando agem de forma “desviante” a essas regras. Assim, conversar após a relação sexual pode adquirir a função de receber uma forma de validação social do comportamento “desviante”, por parte do parceiro. Validação esta que se traduz em esperar palavras de carinho, verbalizações que buscam garantias de estabilidade do relacionamento, afagos, elogios, etc. Não raro, ouvimos relatos de mulheres que se sentem rejeitadas, objetos sexuais ou até mesmo tratadas como promíscuas, quando seu parceiro vira para o lado e dorme. Alguns autores da área afirmam que ainda levarão três ou quatro gerações para que a sexualidade feminina seja culturalmente trabalhada de forma aproximada à masculina. Na prática clínica, são freqüentes os casos de mulheres com dificuldades em manter relações sexuais satisfatórias por conta do modelo de educação sexual que receberam. Assim como a sensação de inadequação dessa amiga, que citei no início do texto, algumas mulheres carregam consigo um padrão de comportamento sexual completamente disfuncional, por não questionarem o mecanismo preconceituoso e repressor que está em operação no seu ambiente. Mulheres sexualmente esclarecidas, homens (ou mulheres) sexualmente satisfeitos. Educação sexual urgentemente!