Paquera e a Equivalência de Estímulos

Já reparou como parece ser mais fácil iniciar, manter e atingir o objetivo em uma paquera quando você e o ‘alvo amoroso’ possuem um (a) amigo (a) em comum? Este fato pode ser explicado pelo conceito de Equivalência de Estímulos, ou seja, o papel de estímulos funcionalmente semelhantes no controle do comportamento. Explico: Imaginemos que Maria compartilha com sua amiga Camila, alguns interesses em comum como preferência musical e valores pessoais, mas acima de tudo convergem no que consideram características comportamentais que tornam um homem atraente ou um ‘bom partido’. Pois bem, em uma bela e ansiada noite de sexta-feira, as duas resolvem sair para dançar e paquerar quando Camila encontra um amigo muito querido (e solteiro), o João. Então, Camila fala para Maria: “Deixa eu te apresentar um grande amigo meu, ‘gente boa pacas’, da minha confiança!”. A apresentação acontece e imediatamente vemos Maria numa conversa acalorada com João, exibindo um sorriso de orelha a orelha e experimentando um sentimento de gratidão por ter uma amiga como Camila. O que não aconteceria (ao menos levaria mais tempo) se alguém desconhecido abordasse Maria. Com ou sem consciência do mecanismo que está por trás do seu interesse, Maria está vivenciando uma situação típica de Equivalência de Estímulos. O cálculo é simples: Maria e Camila são grandes amigas. Tão logo Camila e João sejam grandes amigos, Maria abstrai que o que é reforçador para Camila, o é para João. Em linguagem simples, sem nunca ter conversado com João, Maria lhe atribui características de personalidade ou comportamento com base na sua relação com Camila. “Se Camila gosta, eu também gosto”. Até aqui tudo bem, pois até por uma questão de economia, justifica-se a busca por referências positivas das pessoas que podem vir a fazer parte do nosso cotidiano. O problema reside no caráter contextual do comportamento humano. Camila mantém uma relação com João de amizade, o que não autoriza Maria a prever que João possui aspiração para um gentlmen. João pode apresentar diversas habilidades enquanto amigo, porém apresentar um repertório pobre, quando a contingência é um relacionamento sério. Para uma boa e sucinta análise do papel do contexto discutido aqui,  acesse Nunca conhecemos de fato alguém de Alessandro Vieira, Analista do Comportamento. Discriminar (termo técnico) sempre!

O medo de "ficar pra titia"

O comediante Rafinha Bastos em um de seus shows de stand up comedy, fez uma piada a respeito do casamento que me fez refletir a respeito da veracidade daquela afirmação. Segue o que foi dito: “Casamento é um momento muito mais feliz para a mulher do que para o homem. Não é à toa, que na cerimônia ela usa branco e ele preto”. 
A análise que gostaria de fazer diz respeito ao significado cultural que o casamento tem para uma parcela significativa das mulheres. Se pensarmos nas contingências nas quais as mulheres viviam há várias décadas, observaremos que “ficar pra titia” era um motivo e tanto de preocupação, pois praticamente não havia espaço no mercado de trabalho para que estas pudessem construir uma vida autônoma. Portanto, casar-se fazia parte do currículo daquelas mulheres que não queriam ser vistas como “desviantes” perante a sociedade. Na medida em que a mulher foi conquistando seu espaço, com acesso a informação, aumento da participação política e inserção em praticamente todos os segmentos do mercado, o casamento passou a ser uma escolha pautada em características comportamentais e não mais financeiras ou de dotes. O que acontece é que as mulheres mudaram, a sociedade mudou, mas culturalmente o medo de “ficar pra titia” ainda hoje se mantém. Frases como “você precisa arranjar um marido”, “isso é falta de homem”, “suas amigas estão casando e você está aí, solteira”, etc., demonstram que as mulheres ainda reproduzem um discurso que categoriza a si próprias como adequadas ou inadequadas, de acordo com o “status conjugal”. Como não querem “ficar pra titia” e receber esse tipo de pressão social, muitas mulheres acabam por envolver-se matrimonialmente com mais facilidade do que homens e ter uma predileção maior por relacionamentos dessa natureza. O problema desse padrão de comportamento é que novamente a escolha do parceiro não é feita de acordo com características de personalidade que garantiriam assertividade e longevidade da relação, mas pelo que chamamos de reforço negativo (ganho pela evitação de algo aversivo). Não apresento aqui variáveis de caráter evolutivo que justificariam essa predileção (por exemplo, o ganho evolutivo quando do nascimento de um filho), pois ela se apresenta em diversas faixas etárias e a meu ver a discussão é controversa. Então, vale ficarmos atentos aos mecanismos culturais que podem motivar o investimento em relações disfuncionais e fundamentalmente aprendermos a diferenciar prazer de alívio.  

Pequena Análise: Traição e o medo de estar só

A traição em um namoro com freqüência pode ser fruto da seguinte contingência: Privação do que realmente é reforçador para a pessoa em uma relação, porém, a aversividade em estar só, compete com os reforçadores disponíveis. Tendo, a classe de comportamentos “terminar um namoro”, alto custo de resposta. Em linguagem simples, a pessoa tem suas expectativas frustradas em relação ao que gostaria de experimentar em um relacionamento, mas a perspectiva de ficar sozinho(a) é mais “assustadora”. O resultado é a tentativa de conciliar as duas coisas. Buscar a gratificação desejada (por exemplo, mais atenção, carinho, diálogo, sexo, etc.) com outras pessoas ou relações, sem necessariamente estar solteiro(a). Esta análise não leva em consideração fatores culturais (terceira contingência), que modulam a adequação do comportamento de “trair” entre os gêneros e absolutamente, contingências coercitivas que dificultam a tomada de decisão.