Sobre Ciúmes e Psicoterapia


Freqüentemente, sentir ciúmes é visto como algo desejável em um relacionamento. Trata-se, popularmente, de uma forma de expressão de afeto, cuidado, amor. Resolvi abordar o tema, pois minha experiência clínica e de vida apontam uma curiosidade relacionada ao tema. Tenho certeza que o que direi não será novidade para os terapeutas: Pessoas com relacionamento estável, ao longo do processo terapêutico, bem conduzido, tendem a se demonstrar menos ciumentas e esse fato, conseqüentemente, promove alguma crise na relação (quando apenas um dos cônjuges está em terapia). Psicanalistas diriam que o ciúme está ligado ao temor da perda de algo que é fonte de satisfação, que por sua vez, remete à relação ‘mãe – filho’, onde a mãe é uma fonte de satisfação sempre disponível. Enquanto Analista do Comportamento, vou abordar o tema sob a ótica do autoconhecimento e da auto-estima:

1. O processo terapêutico promove autoconhecimento. A pessoa se torna mais consciente do seu papel na manutenção das queixas apresentadas e aprende novas formas de interagir com seu ambiente, bem como passa a ter mais consciência das suas qualidades pessoais. Aprende a fazer uma observação e análise adequadas do próprio comportamento.

2. Justamente pelo que acima foi descrito, a auto-estima se eleva. Há mais confiança em si mesmo, menos ansiedade e menor necessidade de controlar o parceiro no intuito de evitar que ele se relacione com outras pessoas. Isso se deve também ao fato de que, uma pessoa que recuperou a auto-estima, perde o medo de ficar sozinha. E não vê mais o parceiro como única fonte de satisfação na vida. Dessa forma diz-se que ela deixou de ser “ciumenta”. Na realidade houve uma diminuição de controle desnecessário em vários contextos e não apenas no relacionamento.

3. Resultado final: O parceiro encara a mudança positiva do outro como um ataque pessoal. Os primeiros pensamentos que vem a mente são “ele(a) está me traindo”, “ele(a) não gosta mais de mim”, “está aprontando alguma”, etc. É a busca por uma resposta satisfatória para a mudança de comportamento, e com ela, aumenta a pressão para que o outro volta a ser como era. Instala-se a crise, e dependendo do grau de comunicação entre o casal, pode ser muito difícil reverter esse quadro, culminando no término do relacionamento.

Sem entrar na discussão sobre importância do ciúme em uma relação, há sempre um ponto de equilíbrio. Trata-se de uma forma de controle e é preciso atentar para ela, pois vemos e ouvimos com muita freqüência histórias de diversos crimes cometidos por um excesso desse tipo de comportamento. Pessoas com baixa auto-estima tendem a valorizar demonstrações ciumentas, pois se sentem amadas e valorizadas, e isso pode criar um grande problema mais tarde. Se o parceiro não trai, será realmente por conta do alcance das demonstrações de ciúmes, ou por que escolheu estar na relação? Nada como recuperar a auto-estima e manter relacionamentos mais saudáveis, afinal, tudo que é “proibido” é...?