Ansiedade e Catastrofização


Como o próprio nome sugere, catastrofizar envolve superestimar as conseqüências negativas de determinado comportamento, ou situação, tornando-os verdadeiras catástrofes. “Não farei a apresentação, pois tenho certeza que terei um ataque cardíaco ou serei reprovado pelo público”. Muito freqüente em pessoas que apresentam fortes respostas de ansiedade, catastrofizar traz um grau sofrimento significativo para o individuo. A Catastrofização envolve prever um evento como extremamente aversivo, o que por sua vez aumenta o nível de ansiedade. Com níveis de ansiedade elevados, aumenta as chances de a pessoa cometer erros, o que pode alimentar mais ainda a idéia de uma catástrofe iminente. Nós, Terapeutas Comportamentais, além da condução do processo terapêutico norteado por uma boa Análise Funcional do caso, utilizamos alguns recursos para ajudar essas pessoas a baixarem o nível de ansiedade e extinguir essas respostas do seu repertório. É importante ressaltar aqui, que a catastrofização envolve algum histórico de aprendizagem, ou seja, em determinado momento da vida a pessoa “aprendeu” a catastrofizar.  Daí a importância de conhecer não apenas o que mantém esse comportamento ocorrendo, mas quando se instalou. Vejamos algumas formas de lidar com o problema: 

1 – Análise Lógica: Analisar as experiências reais anteriores em relação ao medo atual, buscando diminuir a crença na inevitabilidade da situação trágica, ou superestimação das conseqüências negativas. Podem ser úteis, por exemplo, perguntas como: “Quantas vezes isso realmente aconteceu no passado?”, “Quantas vezes meu comportamento provocou essa conseqüência?” 

2 – Coping Cards: Anotar em ‘cartões de desempenho’, as situações na qual o indivíduo teve bom desempenho no mesmo contexto temido. Os cartões podem ser guardados na carteira ou bolsa e usados como auxílio no momento que os pensamentos catastróficos surgirem. 

3 – Projeção no tempo: Analisar a situação imaginada como catastrófica, semanas, meses ou anos após o seu  acontecimento imaginado. Estimular a racionalização da situação temida quando já se passou algum tempo, no exemplo do medo de falar em público, em geral evoca pensamentos como: “Acho que tudo voltaria ao normal”. 

4 - Descatastrofizar imagens: Analisar a imagem temida nos seus detalhes e buscar argumentos lógicos que podem tornar a situação menos catastrófica. Neste caso o terapeuta auxilia o cliente a compreender as distorções que faz da realidade e a construir uma imagem menos trágica da situação. 

É importante destacar aqui que as técnicas para controle de ansiedade nesse caso, podem trazer alívio da tensão de forma mais imediata, o que não quer dizer a classe de comportamentos ‘catastrofizar’ esteja extinto. Em geral, através da Análise Funcional de cada caso, descobre-se a função desse tipo de comportamento, e ela pode estar relacionada com contingências e padrões de comportamentos aparentemente sem conexão entre si. Então, se você apresenta nível de ansiedade elevada e catastrofizações freqüentes, o ideal é buscar um bom terapeuta, pois catastrofizar pode ser apenas um ‘sintoma’ de algo mais importante a ser trabalhado (e em geral o é). Politicamente incorreto, mas a título de “didática” e informação, cito aqui uma auto-instrução, por assim dizer, que um psiquiatra especializado em transtornos de ansiedade (cujo nome não me recordo), citou em um programa de televisão e utiliza com seus pacientes: “Quando a ansiedade subir e você se desesperar, olhe para a situação e use a palavrinha mágica... Fod*-se!”