Elogio e Automonitoramento


Provavelmente você já ouviu algo parecido com isso: "Foi só elogiar que em seguida começou a fazer besteira". Pois bem, farei aqui uma análise comportamental desse "fenomeno". Os seres humanos possuem a capacidade de aprender a monitorar o próprio comportamento, ou seja, observar o seu desempenho em uma situação e o seu conseqüente impacto no ambiente ou nas pessoas. Chamamos isso de comportamento de Automonitoramento. É como se observássemos a nós mesmos "de fora". O problema é que algumas pessoas fazem isso com muita freqüência e intensidade. Em geral pessoas que são socialmente ansiosas, tendem a monitorar de forma exagerada seu próprio comportamento para garantir que não irão cometer erros, deslizes. Mas não podemos esquecer que automonitorar-se também é um comportamento. E quanto maior a intensidade dessa resposta, menores ou menos eficazes serão a emissão de outras. No exemplo do elogio, imaginemos uma partida de golf. Antes que você possa dar sua tacada, seu oponente se aproxima e lhe diz: "Admiro muito a forma com que você faz suas jogadas". É possível que sua tacada desta vez não passe nem perto do que você esperava. Isso acontece porque a frase do oponente, maldosa, diga-se de passagem, provocou um aumento excessivo no automonitoramento, o que por sua vez afetou comportamentos motores complexos necessários para a realização da tacada. Trocando em miúdos, você prestou mais atenção em você mesmo do que na jogada em si. Podemos classificar essa dificuldade como excessos comportamentais de auto-referência. Monitorar o próprio comportamento é importante, mas sem exageros. Fica a dica!

Sobre de Término de Relacionamento e Extinção


Analistas do comportamento trabalham com um conceito chamado Extinção. Nos livros didáticos é comum encontrarmos exemplos de laboratório em que ratos, privados durante certo tempo de água, aprendem a pressionar uma barra a fim de receberem uma gota d'água. Mas o que acontece quando o experimentador suspende a água do ratinho, mesmo que ele pressione a barra? Pois bem, ele fica desesperado, tenta várias alternativas, até que desista de pressioná-la. Mas essa história de ratos, gaiola e água tem feito muitos alunos de psicologia desistir de uma de ciência vastíssima e muito coerente, a análise do comportamento. Vamos falar de pessoas e onde essa história de extinção se encaixa em nossas vidas. De forma simplificada, um reforçador (positivo) é algo que nos dá prazer. Quando o que fazemos deixa de ter como conseqüência algo que nos era reforçador, dizemos que o comportamento entra em extinção, ou seja, dentro de algum tempo, deixaremos de fazer certas coisas porque simplesmente não mais obtemos alguma forma de gratificação com aquilo. Um exemplo de extinção é a morte de alguém próximo, querido. Conviver com a pessoa era reforçador, porém, não temos mais acesso a ela. Terminar um relacionamento amoroso também é forma de extinção e como tal sofremos os efeitos dela. Uma característica do processo de extinção é que no início, após a suspensão do reforço há um aumento significativo na taxa de respostas para obtê-lo novamente (o ratinho "desesperado"). Trocando em miúdos, no início tentamos de várias formas obter novamente aquele reforço. São aquelas ligações de madrugada, implorando para o outro uma segunda chance e prometendo agir diferente.  Se o reforço não vem, experimentamos sentimentos como: depressão, desânimo, tristeza, raiva, etc. Em casos mais extremos ouvimos notícias de pessoas que cometem crimes ou tentam suicídio após o término de um relacionamento. A sensação é que a dor irá durar para sempre, mas a notícia boa é que esses sentimentos ruins associados à extinção acontecem durante certo período de tempo e depois desaparecem. É muito comum pessoas tentarem substituir um reforçador por outro imediatamente. No caso, encontrar outra pessoa. O problema aqui é que não houve tempo suficiente para que os sentimentos de depressão, desanimo, tristeza, etc., passassem. E acabam por se engajar em outro relacionamento para não sentir dor. E aí o ciclo se repete quando o novo relacionamento terminar. Substituição pode trazer alívio imediato, mas mantém um problema no plano de fundo. Dai a importância do que popularmente chamamos de 'perder o medo de ficar sozinho(a)'. Entrar em um relacionamento somente por opção e não para fugir de qualquer sensação ruim. Relacionamentos amorosos são apenas uma parcela do que a vida pode nos oferecer de bom. Fica a dica!