Elogio e Automonitoramento


Provavelmente você já ouviu algo parecido com isso: "Foi só elogiar que em seguida começou a fazer besteira". Pois bem, farei aqui uma análise comportamental desse "fenomeno". Os seres humanos possuem a capacidade de aprender a monitorar o próprio comportamento, ou seja, observar o seu desempenho em uma situação e o seu conseqüente impacto no ambiente ou nas pessoas. Chamamos isso de comportamento de Automonitoramento. É como se observássemos a nós mesmos "de fora". O problema é que algumas pessoas fazem isso com muita freqüência e intensidade. Em geral pessoas que são socialmente ansiosas, tendem a monitorar de forma exagerada seu próprio comportamento para garantir que não irão cometer erros, deslizes. Mas não podemos esquecer que automonitorar-se também é um comportamento. E quanto maior a intensidade dessa resposta, menores ou menos eficazes serão a emissão de outras. No exemplo do elogio, imaginemos uma partida de golf. Antes que você possa dar sua tacada, seu oponente se aproxima e lhe diz: "Admiro muito a forma com que você faz suas jogadas". É possível que sua tacada desta vez não passe nem perto do que você esperava. Isso acontece porque a frase do oponente, maldosa, diga-se de passagem, provocou um aumento excessivo no automonitoramento, o que por sua vez afetou comportamentos motores complexos necessários para a realização da tacada. Trocando em miúdos, você prestou mais atenção em você mesmo do que na jogada em si. Podemos classificar essa dificuldade como excessos comportamentais de auto-referência. Monitorar o próprio comportamento é importante, mas sem exageros. Fica a dica!